
O aumento de tarifas e de outras barreiras comerciais está ampliando a pressão sobre empresas brasileiras para que diversifiquem seus destinos de exportação. É o que analisa Ana Maria Matta Walcher, professora de comércio exterior da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP. Segundo ela, os efeitos mais imediatos são o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a pressão sobre as margens de lucro.
Na avaliação da especialista, o impacto sobre a balança comercial pode ser limitado no geral, mas esconder dificuldades sérias para setores e empresas específicos. Quem depende de poucos compradores ou mercados fica mais exposto a mudanças repentinas.
Produtos industrializados, como calçados, máquinas, equipamentos, aço, alumínio e produtos químicos, enfrentam mais dificuldade para encontrar novos destinos. Commodities com demanda consolidada, como petróleo, minério e parte dos produtos do agronegócio, têm mais chances de redirecionar vendas.
O custo das tarifas, explica Ana Maria, acaba sendo dividido entre exportador, importador e consumidor, dependendo do poder de negociação e da existência de concorrentes. Além das tarifas, há outras barreiras: exigências sanitárias, normas técnicas, regras de origem e critérios de sustentabilidade e rastreabilidade. "Empresa que não documenta sua cadeia produtiva fica vulnerável", alerta a professora.
Ela estima que cerca de 5.600 empresas brasileiras foram diretamente afetadas pelas barreiras americanas. Para reduzir riscos, defende a diversificação de destinos e cita os acordos do Mercosul com a União Europeia, a EFTA e Singapura como opções a considerar. Para pequenas e médias empresas, recomenda conhecer a classificação tarifária dos produtos, acompanhar as regras dos mercados de interesse e se aproximar de entidades setoriais e da ApexBrasil.
Fonte: Portal Agroneg.




