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Notícias/SAÚDE15/10/2026· KF News

Ultraprocessados estão associados a notas mais baixas e sintomas de TDAH em crianças e adolescentes

Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

Pesquisas recentes estão acendendo um alerta sobre os efeitos dos ultraprocessados na vida escolar de crianças e adolescentes. Um estudo espanhol publicado em 2025 encontrou associação entre o consumo alto desses alimentos e notas mais baixas em matérias como linguagem, matemática e inglês. Os pesquisadores deixam claro que os resultados não provam que os ultraprocessados causam o mau desempenho, mas indicam uma relação preocupante.

No Brasil, a Coorte de Nascimentos de Pelotas analisou 3.643 crianças e investigou o consumo alimentar aos 2, 4, 6 e 7 anos de idade. O resultado mostrou que as crianças que comiam mais ultraprocessados em duas das três avaliações apresentavam 16% mais sintomas de TDAH aos 6 e 7 anos. Além disso, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2019) mostram que esse consumo está ligado a maior irritabilidade, tristeza, preocupação, má qualidade do sono e até ideação suicida.

A nutricionista Maíra Ladeia, da Prefeitura de São Paulo, explicou que o excesso de açúcar no sangue gera agitação e dificulta a concentração em sala de aula. Ela também alertou que mais de 80% das crianças menores de 2 anos já haviam consumido pelo menos um ultraprocessado no dia anterior à pesquisa do ENANI 2019, e que na adolescência o índice permanece alto, segundo o SISVAN 2024.

Mauro Fisberg, coordenador do Cenda no Sabará Hospital Infantil, apontou que os piores padrões alimentares costumam começar dentro de casa, onde produtos açucarados, refrigerantes e sucos adoçados são comuns. Nas escolas, cantinas e premiações com doces reforçam esse hábito. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) já proíbe ultraprocessados nos cardápios de crianças menores de 3 anos na rede pública. No entanto, o PL 4501/2020, que propõe estender essa proibição a todas as escolas do país, tramita lentamente desde 2020, passando de comissão em comissão.

Fonte: Drauzio Varella